Por Marcio Sales, Especialista em Geoestatística, e Caio Gallego, Gerente de Inteligência Operacional na Biofílica
Introdução
O alto rigor exigido no atendimento de preceitos técnicos como a adicionalidade e a determinação da linha de base é crucial para o mercado voluntário de carbono, pois determina se os projetos certificados realmente estão contribuindo para reduzir emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e se as reduções estão sendo calculadas de forma robusta, factível e conservadora.
Nos últimos anos, os projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+), em especial os voltados para a abordagem de Desmatamento Não Planejado Evitado (AUD), têm sido alvo de críticas substanciais.
A principal preocupação reside na adicionalidade e na quantificação de Emissões Reduzidas de GEE, com alegações de que as emissões no cenário de linha de base estariam, na maior parte dos projetos, superestimadas, inflando artificialmente a efetividade de suas ações de redução de desmatamento.
As críticas se intensificaram em janeiro de 2023, quando o jornal The Guardian publicou um artigo que classificava esses projetos como praticamente “inúteis” e, pior, sugeria que poderiam até mesmo proporcionar aumento nas emissões1.
A repercussão da matéria foi significativa, causando desconfiança e intensificando o escrutínio público e do mercado sobre essa categoria de projetos.
Como consequência, houve uma queda na demanda e nos preços dos créditos gerados, além de um impacto negativo na oferta, reduzindo a certificação de novos projetos e o fluxo de geração de créditos.
Em resposta a essas críticas, a Verra, principal organização certificadora de projetos REDD+ no mundo, iniciou uma revisão profunda da base metodológica do programa VCS (Verified Carbon Standard).
A atualização de suas regras e métodos para o registro de projetos REDD+ visa eliminar distorções metodológicas e aumentar a transparência e a credibilidade dos projetos.
A nova metodologia da Verra, VM0048, aborda diretamente grande parte das críticas, buscando maior precisão e alinhamento na contabilização das Emissões Reduzidas.
Neste artigo, exploraremos detalhadamente as críticas feitas aos projetos REDD+ AUD, examinando os argumentos apresentados e a relevância das preocupações levantadas. Além disso, analisaremos as mudanças propostas pela nova metodologia da Verra e como elas contribuem para enfrentar os desafios identificados.

As metodologias em vigor
Grosso modo, os créditos de um projeto REDD+ são determinados por meio da comparação entre as emissões resultantes do desmatamento observado nas áreas dos projetos e uma estimativa do que seria desmatado caso o projeto não tivesse sido implementado.
Essa estimativa hipotética do que ocorreria sem a implementação do projeto representa, portanto, a linha de base.
A Verra, por meio de seu padrão VCS, possui diferentes metodologias para aplicação do REDD+, que estabelecem diretrizes para determinação das linhas de base.
Embora apresentem diferenças, essas metodologias possuem semelhanças quanto à determinação da linha de base. O desmatamento futuro no cenário sem projeto é estimado utilizando dados históricos, assumindo que as taxas futuras de desmatamento oscilarão na média histórica ou, quando aplicável, na tendência observada nos últimos 10 anos em uma região de referência que engloba o projeto.
A principal fragilidade desse processo reside no fato de que tais metodologias permitem que os próprios proponentes construam suas linhas de base.
São fornecidos critérios para orientar esse processo, que posteriormente deve ser auditado por uma terceira parte. No entanto, mais recentemente surgiram questionamentos em relação às variações — e em alguns casos superestimações — apresentadas entre as linhas de base de diferentes projetos, devido à flexibilidade oferecida pelas metodologias.
Essas fragilidades metodológicas, segundo estudos, podem afetar a adicionalidade e a qualidade da quantificação das emissões reduzidas pelos projetos.

Adicionalidade frágil
A matéria publicada pelo The Guardian em 2023 foi baseada nas conclusões de dois estudos científicos independentes, um deles publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences e outro no periódico Conservation Biology, por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
O primeiro estudo2 analisou 12 projetos validados pela Verra na Amazônia Brasileira, comparando as reduções de emissões calculadas utilizando metodologias VCS aprovadas pela organização com uma estimativa baseada em um método alternativo chamado “método da unidade de controle sintética”.
Nesse método3, diferente das metodologias utilizadas pela Verra, as reduções são estimadas comparando as emissões de um projeto com uma métrica contrafactual artificial, obtida a partir de dados de áreas com características semelhantes às do projeto analisado.

Figura 1: Esquema de estimativa de redução de emissões a partir do método da unidade de controle sintética.
As regiões A e B representam o período histórico e o período pós-início do projeto. * UCS: Unidade de controle sintética.
Em resumo, o método busca criar uma espécie de réplica da área do projeto — denominada Unidade de Controle Sintética (UCS) — sem atividades de redução de emissões, representando o cenário de linha de base.
O método pressupõe que as taxas de desmatamento da unidade sintética construída representariam as taxas que ocorreriam na área do projeto após sua implementação.
No estudo citado, as unidades de controle selecionadas apresentaram níveis de desmatamento inferiores aos valores previstos nas linhas de base reportadas pelos projetos.
Com base nesses resultados, os autores concluíram que grande parte dos projetos avaliados não teria entregue as reduções de emissões declaradas.
Na época, o estudo recebeu diversas críticas, principalmente de desenvolvedores de projetos, relacionadas a possíveis limitações na metodologia aplicada.
Entre os principais pontos levantados estavam a seleção das áreas utilizadas para composição da unidade sintética e a representatividade do universo de projetos analisados, entre outros aspectos4 5 6 7 8.

Figura 2: Resultado do estudo de West et al.
Os pontos em azul representam reduções ou acréscimos de emissões estimadas em áreas sem projeto (placebo/sintético), em comparação com o observado nos projetos (linha vermelha), utilizando o mesmo método.
Outro estudo, conduzido por pesquisadores de Cambridge9, utilizou uma seleção mais representativa dos projetos registrados pela Verra e também identificou uma redução de emissões inferior aos valores reportados.
Entretanto, esse estudo apresentou uma diferença importante: indicou que os projetos analisados possuíam adicionalidade positiva, ao contrário das conclusões do primeiro estudo.
Os autores utilizaram o método denominado matching ou “pareamento estatístico”, outra abordagem utilizada para avaliação de impacto de intervenções.
Enquanto o método da unidade de controle sintética avalia cada projeto individualmente, o matching permite analisar um conjunto de projetos de forma mais ampla.
O método seleciona, para cada projeto com intervenção, uma ou mais áreas sem intervenção com características semelhantes, formando grupos estatisticamente comparáveis.
O efeito dos projetos sobre as emissões de CO₂ é calculado pela diferença entre as médias observadas nos dois grupos após o início de cada projeto.
Esse segundo estudo indicou que os projetos analisados apresentaram adicionalidade de aproximadamente 47%, divergindo parcialmente do primeiro estudo, mas ainda abaixo dos valores inicialmente registrados.
Assim como no caso das Unidades de Controle Sintéticas, o método de matching compartilha o pressuposto de que as áreas utilizadas como grupo de controle continuam representando adequadamente as características do projeto após sua implementação.
É importante destacar que, diferente das metodologias VCS, as reduções de emissões calculadas pelos métodos de UCS ou matching são estimadas apenas de forma ex-post.
Isso significa que esses procedimentos não permitem prever diretamente, antes da implementação dos projetos, a redução potencial de emissões e, consequentemente, sua capacidade de geração de créditos.
As metodologias da Verra, por outro lado, utilizam projeções baseadas nos padrões históricos recentes de desmatamento, permitindo análises de viabilidade antes da implementação dos projetos — etapa fundamental para iniciativas que demandam planejamento e investimentos prévios.
Apesar das diferenças e limitações identificadas nos dois estudos, ambos apontaram para uma possível distorção metodológica que precisava ser analisada com maior profundidade e corrigida, caso confirmada.

Buscando a causa raiz
Com relação às metodologias de REDD+ do padrão VCS disponibilizadas pela Verra, é importante destacar um aspecto fundamental para essa discussão.
Para quem atua no desenvolvimento de projetos, é conhecido que, antes da consolidação das novas regras, diferentes metodologias poderiam ser aplicadas a um mesmo projeto.
Dessa forma, as estimativas das linhas de base apresentavam elevada sensibilidade dependendo da metodologia escolhida e dos parâmetros e procedimentos permitidos por cada uma delas.
Em 2024, um estudo intitulado “Methodological issues with deforestation baselines compromise the integrity of carbon offsets from REDD+”10 avançou na investigação dessas distorções e identificou possíveis causas estruturais relacionadas ao processo de definição das linhas de base.
Embora a representatividade desse estudo ainda seja insuficiente para generalizar seus resultados para todos os projetos, ele demonstra que a flexibilidade permitida na escolha das metodologias e de seus parâmetros pode gerar grande variação nas estimativas de redução de emissões.
O critério para escolha da metodologia, assim como a aplicação dos parâmetros definidos por ela, esteve historicamente sob responsabilidade do desenvolvedor do projeto.
Essa flexibilidade poderia facilitar, de forma intencional ou não, a construção de linhas de base superestimadas.
Como essas distorções não necessariamente representavam violações das regras metodológicas vigentes, auditorias e padrões de certificação não possuíam necessariamente mecanismos para rejeitar tais estimativas.
Essa lacuna metodológica permitiu, durante determinado período, a existência de projetos semelhantes em uma mesma região apresentando linhas de base significativamente diferentes.
A nova metodologia REDD+ da Verra
Como apresentado anteriormente, a publicação do artigo do The Guardian e os resultados dos estudos analisados impactaram significativamente o mercado de créditos de carbono, gerando preocupações relacionadas à integridade dos créditos provenientes de projetos REDD+.
Em resposta a esse cenário, a Verra iniciou, em 2023, uma revisão detalhada de sua base metodológica.
As metodologias anteriores estão sendo substituídas por uma nova metodologia integrada, a VM0048, desenvolvida para contemplar todas as abordagens de REDD+.
Espera-se que essa nova metodologia aumente a integridade dos créditos gerados por projetos REDD+ e contribua para a recuperação da confiança no mercado voluntário de carbono.
A adoção de uma abordagem mais robusta e transparente busca garantir que os créditos reflitam com maior precisão os benefícios climáticos gerados pelos projetos, fortalecendo sua credibilidade perante investidores, empresas e demais stakeholders.
A nova metodologia não segue os métodos utilizados nos estudos críticos apresentados anteriormente, que possuem limitações próprias. Entretanto, apresenta avanços relevantes para solucionar os principais desafios identificados:

Figura 3: Principais mudanças introduzidas pela metodologia VM0048.
Essas mudanças solucionam grande parte dos problemas identificados anteriormente.
Principalmente, elas eliminam a flexibilidade existente nas metodologias anteriores, uma vez que os dados de atividade serão gerados previamente e distribuídos aos projetos diretamente pela Verra, como um novo serviço oferecido pelo padrão.
Com isso, as estimativas passarão a ser calculadas a partir de um único método, garantindo maior consistência na contabilização das reduções de emissões e na geração dos créditos de carbono em escala jurisdicional, independentemente das quantidades posteriormente alocadas aos projetos.
Outro avanço importante é a utilização de estimativas da taxa histórica de desmatamento baseadas em métodos estatísticos.
As metodologias anteriores permitiam o uso direto de dados de classificação da cobertura do solo para calcular áreas desmatadas durante períodos históricos, procedimento que pode gerar estimativas enviesadas11.
Esse erro pode ser reduzido utilizando probabilidades originais12 ou estimativas baseadas em amostragem probabilística13, abordagem adotada pela nova metodologia.

Figura 4: Exemplo ilustrando um caso em que um modelo linear ajustado sobre dados históricos poderia superestimar o desmatamento futuro devido à quebra da tendência observada anteriormente.
O novo método também busca aumentar o conservadorismo das projeções de emissões futuras, limitando-as às médias históricas de desmatamento dos últimos 10 anos em cada jurisdição.
Algumas metodologias anteriores permitiam projeções baseadas na tendência observada de aumento ou redução das taxas de desmatamento. Entretanto, essa abordagem poderia gerar superestimativas caso uma tendência identificada no passado não se mantivesse no futuro.
Essa limitação é reduzida pela nova metodologia, que adota uma abordagem mais conservadora e previsível para estimar os cenários futuros de desmatamento.
A medida é reforçada pela redução do período de validade da linha de base, que passa de 10 para 6 anos, exigindo uma atualização mais frequente dos dados de atividade para que os projetos continuem elegíveis à geração de créditos.
Essa mudança contribui para evitar superestimativas — ou subestimativas — decorrentes de alterações nos padrões de desmatamento entre diferentes períodos de validação.
Linhas de base jurisdicionais
Outro avanço relevante da nova metodologia está relacionado às linhas de base jurisdicionais, produzidas pela Verra e definidas com base nas médias históricas de desmatamento de cada jurisdição.
Posteriormente, esses valores são distribuídos entre os projetos por meio de um modelo de alocação.
Embora o modelo inicial utilize uma variável principal — a distância para bordas de floresta —, essa característica apresenta boa correlação com o risco de desmatamento.
Entretanto, espera-se que esse modelo seja aprimorado ao longo do tempo com a incorporação de variáveis adicionais e métodos estatísticos mais sofisticados.
O ponto central é que essa abordagem reduz significativamente a possibilidade de superestimativas das linhas de base em escala jurisdicional.
Desafios remanescentes
Como apresentado anteriormente, as mudanças propostas pela nova metodologia devem reduzir significativamente as distorções relacionadas às linhas de base dos projetos, permitindo uma avaliação mais consistente da adicionalidade e alinhando a contabilidade das emissões reduzidas ao nível jurisdicional.
Apesar dos avanços, alguns desafios permanecem.
Embora o modelo atual garanta maior consistência em escala jurisdicional, o mecanismo simplificado de alocação pode gerar determinados vieses em escala local.
Em algumas situações, projetos localizados em áreas com elevado risco de desmatamento podem ter sua adicionalidade subestimada. Em outras, projetos situados em regiões de menor risco podem apresentar uma estimativa superior ao potencial real.
Além disso, como projetos REDD+ AUD normalmente são implementados em regiões com maior pressão por desmatamento, esse efeito pode dificultar a implementação de iniciativas em determinadas áreas estratégicas para conservação florestal.
Esse desafio tende a ser reduzido conforme modelos mais sofisticados sejam incorporados à metodologia.
Além disso, alguns módulos relacionados à ocorrência de degradação não planejada e ao Desmatamento Planejado Evitado (APD) ainda precisam ser aprimorados e melhor definidos.

Perspectivas futuras
Apesar dos desafios remanescentes e dos ajustes necessários para a implementação completa da nova metodologia, a VM0048 representa um avanço significativo no processo de aprimoramento da integridade dos projetos REDD+.
Os projetos REDD+ possuem um papel fundamental na redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), e a evolução das metodologias de contabilização contribui para fortalecer sua eficácia por meio de uma avaliação mais precisa da adicionalidade.
Com isso, a expectativa é de recuperação da confiança do mercado, ampliando a credibilidade dos projetos de conservação florestal e fortalecendo o papel das Soluções Baseadas na Natureza (SbN) no enfrentamento das mudanças climáticas.
Vale destacar que os créditos provenientes de projetos de Soluções Baseadas na Natureza continuam entre os mais demandados pelo mercado voluntário de carbono, apresentando, por exemplo, os maiores volumes de transações e taxas de aposentadoria em 2022 e 202315.
Além disso, projetos REDD+ AUD representam aproximadamente metade dos projetos REDD+ registrados e correspondem à maior parte dos créditos gerados nessa categoria.
A preferência por esses projetos está relacionada não apenas às reduções de emissões proporcionadas, mas também aos benefícios ambientais e sociais associados, incluindo a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento socioeconômico de comunidades locais.
Os projetos REDD+ desenvolvidos pela Biofílica contribuem para a conservação de aproximadamente 2,5 milhões de hectares de florestas, que abrigam dezenas de espécies ameaçadas de fauna e flora e impactam mais de 130 comunidades locais.
A evolução das metodologias e o fortalecimento dos critérios de integridade representam uma oportunidade para o restabelecimento do mercado de REDD+, considerando sua importância estratégica para a mitigação das mudanças climáticas e a conservação dos ecossistemas.
Quando desenvolvidos com rigor técnico, transparência e governança adequada, esses projetos contribuem não apenas para a redução das emissões de GEE, mas também para a proteção da biodiversidade e para o desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas.
Com o avanço contínuo das metodologias de contabilização e o reconhecimento global da necessidade de soluções climáticas eficazes, espera-se que o mercado de carbono associado à conservação florestal continue evoluindo, atraindo investimentos e contribuindo para o cumprimento das metas climáticas globais.

Sobre a Biofílica
Fundada em 2008, a Biofílica desenvolve Soluções Baseadas na Natureza para apoiar empresas em suas jornadas de descarbonização. A empresa atua com projetos de carbono, restauração florestal, inventários de emissões de gases de efeito estufa e estratégias de redução e compensação, integrando ciência, tecnologia, inteligência territorial e sistemas próprios para gerar impacto positivo para o clima, a biodiversidade e a sociedade.
Referências
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https://www.theguardian.com/environment/2023/jan/18/revealed-forest-carbon-offsets-biggest-provider-worthless-verra-aoe
[2] West, Thales A. P., Jan Börner, Erin O. Sills, e Andreas Kontoleon. 2020.
“Overstated Carbon Emission Reductions from Voluntary REDD+ Projects in the Brazilian Amazon”.
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[3] Abadie, Alberto. 2021.
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[4] Malan, M., Carmenta, R., Gsottbauer, E., Hofman, P., Kontoleon, A., Swinfield, T., & Voors, M. (2024).
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[5] Study analysis of “West et al. (2020): Overstated carbon emission reductions from voluntary REDD+ projects in the Brazilian Amazon”. ClimatePartner.
[6] Our analysis of The Guardian’s criticism of Verra. Systemica Team.
[7] Technical Review of West et al. 2020 and 2023, Guizar-Coutiño 2022, and Coverage in Britain’s Guardian. Verra.
[8] Carbonext Response to West et al.’s (2020) Study.
[9] Guizar-Coutiño, Alejandro, Julia P. G. Jones, Andrew Balmford, Rachel Carmenta, e David A. Coomes. 2022.
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[12] Sales, Marcio H. R., Sytze de Bruin, Carlos Souza, e Martin Herold. 2021.
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[13] Sales, Marcio H. R., Sytze de Bruin, Carlos Souza, e Martin Herold. 2021.
“Land Use and Land Cover Area Estimates From Class Membership Probability of a Random Forest Classification”.
IEEE Transactions on Geoscience and Remote Sensing.
[14] Olofsson, Pontus, Giles M. Foody, Martin Herold, Stephen V. Stehman, Curtis E. Woodcock, e Michael A. Wulder. 2014.
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[16] Forest Trends’ Ecosystem Marketplace. 2024.
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Washington DC: Forest Trends Association.
















































